Estudantes e poder público discutem segurança pública em Curitiba


Na tarde desta segunda-feira, 06, em audiência pública realizada na Câmara Municipal de Curitiba pela Comissão de Educação a pedido do vereador Marcos Vieira, estudantes de nível médio e superior e moradores do centro debateram com o poder público a situação da segurança na cidade, sobretudo na região central que abriga casas de estudantes e universidades. A audiência foi solicitada pela CEU (Casa do Estudante Universitário) após o assassinato do jovem Jorge Faria, morador da casa e aluno da UTFPR, em 31 de maio deste ano durante um assalto.

O evento iniciou com um minuto de silêncio em homenagem a Jorge, seguido das falas do presidente da CEU, Cleverton Quadros, e da presidente da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Izabela Marinho, que destacaram o medo e insegurança com que os estudantes vivem diariamente no trajeto que realizam entre a universidade e suas casas, principalmente no período noturno, quando o centro se encontra esvaziado com baixa circulação de pedestres, além de se depararem com problemas como falta de iluminação e transporte público reduzido. Ambos defenderam a necessidade de se investir em prevenção, através do investimento em educação e cultura e ocupação dos espaços públicos, como o prolongamento do funcionamento do Passeio Público até meia-noite e oferta de atividades culturais neste espaço, como sugeriu o presidente da CEU.

Representando os moradores do centro, Edeluz Ribas Alves sugeriu um trabalho contínuo e mais efetivo entre a polícia militar e guarda municipal de Curitiba e a volta do módulo da polícia que foi retirado do Passeio Público, além da implantação de novos módulos móveis em distintos pontos da região.

A professora doutora Priscila Placha Sá, da UFPR, reforçou a necessidade de se investir na prevenção e também na pesquisa acadêmica que, através de estudos e explicitação de dados, auxilia no trabalho do poder público na identificação de carências e pontos que precisam de maior atenção. Ainda, destacou o problema histórico-social de violência estruturado em nossa sociedade que só é possível reverter com educação e cidadania.

Representando o poder público na área de segurança, participaram do debate o Capitão Lima, em nome da Polícia Militar do Paraná, o Delegado Emannoel Aschadamini David da delegacia de furtos e roubos, por parte da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, e o Inspetor Speck da Guarda Municipal de Curitiba. O capitão apresentou ações que a polícia militar vem executando na cidade em parceria com a própria população, por meio do patrulhamento comunitário, e o dever de cada cidadão em registrar boletim de ocorrência para que o fato ao menos entre nas estatísticas e auxilie no planejamento das atividades de prevenção. Já o delegado declarou que a falta de pessoal é um problema que precariza o trabalho, sendo apenas 30 policiais civis de investigação para 2 milhões de habitantes. Todos defenderam o trabalho realizado pelos moradores nos Conselhos Municipais de Segurança criados nos bairros, que auxiliam na identificação de problemas e relatos que contribuem para maior efetividade da polícia e do poder público naquela região.

O vereador Marcos Vieira declarou que este é um debate que começa pelo centro, porém deve ser expandido para toda a cidade. Segundo ele, por ter vindo e ainda morar na periferia, depara-se diariamente com graves quadros de violência e insegurança que poderiam ser evitados com maior incentivo em atividades preventivas, como o trabalho que vem realizando através do mandato com ações esportivas, culturais e educacionais na regional Bairro Novo.

Os participantes que acompanhavam a audiência também puderam registrar sua opinião, sendo um ponto em comum entre todos o foco no trabalho de prevenção e ocupação do centro, não apenas com novos moradores mas com ações socioculturais e educativas que atraiam a população para a região para afastar a criminalidade e devolver o sentimento de pertencimento à cidade para todos.

Toda a discussão foi registrada e os dados e sugestões serão compiladas para que o trabalho seja encaminhado aos órgãos competentes e acompanhados de perto pelos solicitantes da audiência e pelos vereadores da comissão de educação.

Abaixo Assinado com mais de duas mil assinaturas

O primeiro encaminhamento já aconteceu durante a audiência, com a entrega aos representantes do poder público de um abaixo-assinado realizado pelos estudantes e moradores solicitando maior atenção aos pedidos e apresentando sugestões que possam auxiliar na segurança pública da nossa cidade. Foram reunidas 2.321 assinaturas.

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