No ano da enfermagem, pandemia reforça a necessidade de atenção à categoria



2020 foi declarado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o ano internacional dos profissionais da enfermagem, com o objetivo de reconhecer o trabalho feito por enfermeiras e enfermeiros em todo o mundo e defender mais investimentos para esses profissionais melhorando suas condições de trabalho e desenvolvimento profissional. Entretanto, o que ninguém esperava, era uma pandemia que colocaria em exposição a real situação da categoria em todo o mundo.


O Brasil conta com mais de 2 milhões de profissionais na enfermagem, entre enfermeiras, técnicos e auxiliares, sendo a maioria mulheres (87%) entre 35 e 54 anos (55%) e representando 70,2% de todo o corpo de profissionais da saúde do país. Porém, como em todo o mundo, há uma defasagem de profissionais em atuação.


Um fator que explica o déficit de profissionais da enfermagem, principalmente enfermeiros e enfermeiras, é a desvalorização da profissão. Não é raro encontrar enfermeiras que fazem jornada dupla, ou até tripla, para garantir sua renda no final do mês, passando dias fora de suas casas ou indo apenas para dormir uma média de 6 horas - ou até menos - por dia.


Entre as principais pautas da luta, que já dura décadas, está a busca pela regulamentação da jornada de trabalho - a proposta é uma jornada diária de 6 horas diárias -; insalubridade; salários compatíveis à função; estruturação de equipes com o número adequado de profissionais e capacitação profissional permanente.


Outra questão que está em destaque é a preocupação com a saúde mental dos profissionais. Infelizmente, vem crescendo o número de afastamentos por doenças mentais como depressão e ansiedade e, até mesmo, casos de suicídio. Muito pelas jornadas excessivas, falta de segurança e amparo psicológico, condições precárias e pressão excessiva no ambiente de trabalho.


E, em meio a todas estas dificuldades, a categoria foi abatida pela pandemia de uma doença desconhecida que está abalando todo o planeta.


A enfermagem na linha de frente


Com o avanço da Covid-19 no país, os profissionais da enfermagem se tornaram os profissionais mais expostos ao vírus, por atuarem na linha de frente no combate à doença. Até a última semana, mais de 100 mil profissionais, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares, foram contaminados e 98 perderam a vida.


O principal motivo do alto contágio, segundos os profissionais, é um problema antigo, a falta de equipamentos de segurança, os EPIs - equipamentos de proteção individuais. Segundo pesquisa da Associação Paulista de Medicina (APM), 50% dos locais de combate à Covid-19 sofrem com a falta de EPIs, sobretudo as máscaras de proteção N95 ou PFF2.


Somam-se a este problema as exaustivas jornadas de trabalho que estão sendo prolongadas, o medo ao lidar com uma doença ainda sem medicação e cura e, talvez, a maior das dores: o afastamento do convívio familiar.


Milhares de profissionais estão vivendo durante este período isolados e afastados de qualquer contato com seus familiares. Muitos, isolados em suas próprias casas, outros em espaços alugados ou até mesmo hotéis. Um sacrifício para evitar contaminar seus familiares, o que reflete em sua saúde mental.


Atenção urgente à classe


A pandemia expôs ainda mais as dificuldades enfrentadas diariamente pelos profissionais da enfermagem que, neste momento, duplicaram - até mesmo quadruplicaram em algumas regiões - sua jornada de trabalho.


O que cabe, desta forma, aos representantes eleitos pela população é somar à luta deles e buscar qualidade e segurança para a sua atuação profissional, além de reconhecer o trabalho honrado e árduo que estão realizando por toda a população no enfrentamento ao coronavírus.


Embora seja um momento dolorido e difícil, que após tudo se normalizar possam ser colocadas as necessidades destes profissionais em pauta com urgência, nos âmbitos municipal, estadual e federal, para que tenham forças para continuar atuando e tenham a comprovação de que toda sua luta será reconhecida e agradecida, não apenas com aplausos, também com ações e valorização.


"A enfermagem na linha de frente"


Com o intuito de reforçar a mensagem, o vereador Marcos Vieira convidou três enfermeiras - Edilmara Souza, Maria de Fátima Mantovani e Maria Neiva Faleiros - para contarem um pouco sobre sua profissão e o que enfrentam em sua rotina.


Os comentários são da psicóloga Cleuse Barleta.


Confira:






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